9 de janeiro de 2016

Eu sou uma mãe Extraterrestre (ou devo ser)

É, é isso mesmo que você acabou de ler. Só posso ser uma E.T. ou algo do tipo, sabe por quê?
Acabei de ler um post em outro blog, em que uma mãe conta que foi "julgada" por não amamentar seu bebê por mais que 6 meses. Ela diz também que parentes e amigos também tinham essa postura com ela. Olhavam com cara de reprovação, e ela até tinha vergonha (isso mesmo- vergonha) de dar a mamadeira pro bebê dela em público.
No post ela também reclama que a mídia fica divulgando sobre amamentação, mostrando mães amamentando felizes seus bebês, mas que não passam informações consistentes sobre amamentação.

Gente, tem alguma coisa de estranho nisso aí, porque no mundo em que eu vivo é totalmente ao contrário do que ela relatou!!!
O que a gente mais vê é mulher com vergonha de pôr os peitos pra fora, para amamentar!
Daí fiquei preocupada, porque se ela vive no Brasil como eu, e diz que acontece tudo isso aí... Onde é que estou vivendo?!

Vou explicar:
Assim que o Pietro nasceu, em 2009, me mandaram dar fórmula pra ele ( deram no hospital, alegando que o ajudaria a se satisfazer mais do que com o meu colostro).
A moça que ficou no mesmo quarto que eu, disse que assim que saísse do hospital, compraria mamadeira e leite NAN, porque não aguentava mais ter que amamentar toda hora.
Vários parentes e amigos nos aconselharam várias vezes a dar mamadeira para o Pietro, chupeta com açúcar, vários tipos de fórmulas... Porque se ele chorava, era que meu leite não estava sustentando (de novo essa mesma história repetidas vezes).
Chegamos a comprar a tal fórmula, porque de tanto ouvir que a culpa do choro dele era meu leite fraco, decidimos fazer um teste. Só que eu queria MUITO amamentar. MUITO MESMO! Cheguei até a chorar quando compramos a lata de leite...
Então, entrei num grupo do falecido Orkut chamado GVA - Grupo Virtual de Amamentação e pedi ajuda.
Comecei a ler todos os textos indicados pelo grupo, que nem uma doida. E a primeira coisa que me disseram foi: "seu bebê está perdendo peso?" Não, ele tinha praticamente dobrado de peso antes mesmo de completar 4 meses. Vinha engordando e crescendo em ritmo acelerado. E o choro cessava quando eu o colocava no peito, mesmo que fosse pra mamar um pouquinho e depois ficar só lá, cochilando no meu colo.
Então eu me toquei de que o problema não era meu leite, que ao invés de fraco, era muito forte isso sim!
O "problema" é que eu estava desacreditando de mim como mãe. Desacreditando da minha capacidade de amamentar, de tanto ouvir os outros dizendo que eu era o " defeito". Se eu não tivesse acordado para isso, a amamentação teria ido pelo ralo...
Quanto à mídia... Bem, se eu vi UMA campanha a favor do Aleitamento Materno na TV nesses 7 anos, foi muito. Na verdade eu nunca cheguei a ver propaganda nenhuma pró- aleitamento na TV, nem as do Ministério da Saúde.
E as novelas, filmes, propagandas... TODAS mostram bebês com mamadeiras e chupetas. Duvida? Preste atenção.
Até as bonecas vêm com mamadeirinhas e chupetas de brinquedo, induzindo as meninas a acharem que aquilo é o "natural" desde crianças.
O único ponto em que concordei com esse texto foi quando ela disse que não há informações de qualidade pra todas as mães, na mídia. Realmente isso é um fato.
Raras exceções já ouviram falar em relactação, por exemplo. Que é quando a mãe amamenta com sonda e leite artificial grudados no peito, pra estimular o organismo a voltar a produzir leite (solução para quem diz que o leite secou, olha que maravilha!)
Mas, sabe... Eu percebo que assim como hoje em dia vivemos uma batalha para conseguir informações corretas sobre parto, isso também acontece com a amamentação. Tem que procurar MUITO, acreditar MUITO e persistir MUITO. Senão você é levada pela enxurrada do marketing do leite artificial e bye-bye amamentação!

Às vezes junta tudo numa coisa só, e a mãe não quer admitir que pra ela é mais cômodo desmamar aquele bebê que demanda atenção demais, ela já nem está tão a fim de amamentar mais, está cansada, e acaba "se rendendo" à fórmula.
Ninguém tem nada a ver com isso (além do bebê, claro), mas que a verdade seja dita, porque senão acredito que estou vivendo em um mundo paralelo, sou uma extraterrestre mesmo e tudo que vi e vivi nesses últimos 6, 7 anos é viagem da minha cabeça alienígena, e não uma escolha consciente de uma mãe.
É só fazer uma pesquisa rápida: Quantas mulheres que você conhece, amamentaram até depois dos 6 meses?

Respondendo a essa pergunta a gente consegue descobrir se estamos vivendo realmente numa "ditadura da amamentação", com um monte de mães com peitos pingando leite e julgando as outras minorias que não conseguiram amamentar... Em um país com média de amamentação de 54 míseros dias... Sei...
Mulheres: nós podemos fazer muito mais que isso. Não é fácil, mas é muito mais que possível!
Se estiver com dificuldades, peça ajuda!
Se não quiser mais, tome uma decisão consciente e livre-se do sentimento de culpa. Porque afinal de contas, decisões conscientes não devem deixar sentimento de culpa em ninguém.
#ETfeelings

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