21 de janeiro de 2016

Treinando para o Parto - Contrações de treinamento (Braxton Hicks)

Contrações de Braxton Hicks (Dr. Braxton Hicks foi o médico que identificou esse tipo de contrações) são como exercícios de treinamento que o corpo faz para se preparar para o nascimento do bebê.
Elas podem aparecer a partir das 16, 20 ou 30 semanas de gestação e ficarem presentes até o trabalho de parto.
Várias mulheres as sentem, outras não. Para algumas elas podem ser bem doloridas e para outras, indolores.


Mas como saber a diferença entre as contrações de treinamento e as contrações de trabalho de parto?
A diferença é que as contrações de treinamento são esporádicas, o contrário das de trabalho de parto que são ritmadas e regulares. Apenas quando as dores vierem com menos de cinco minutos de intervalo em uma hora, por exemplo. é preciso ir à maternidade (no caso de um parto hospitalar).

Ontem eu estava sentada, trabalhando no escritório, quando comecei a sentir uma dorzinha que pensei ser cólica intestinal. Em questão de segundos, essa dorzinha foi subindo e foi até a minha lombar, nas costas. Minha barriga endureceu na mesma hora.
Tive minha primeira contração de treinamento dessa gravidez, e não me lembro de senti-las na gravidez do Pietro.
Fiquei toda animada (que boba rs) e mandei mensagem pra minha doula :-)
Se não tivesse me informado sobre isso antes, provavelmente ficaria tensa com medo. Por isso é muito importante a gente se informar sobre tudo que envolve a gestação, parto e pós-parto.

Ontem mesmo foi dia de ultrassom, Cibele pesando 1kg e medindo 35cm. Minha fadinha está crescendo!

16 de janeiro de 2016

E você, já falou sobre sexo com seu(a) filho(a)?


"- Mamãe, de onde vêm os bebês?"
Depois dessa frase, está lançada a sorte rs. Você tem poucos segundos para decidir entre uma fantasia (cegonha, repolho, etc) ou a realidade, muito delicadamente.

O interesse do Pietro surgiu quando ele começou a me pedir um irmãozinho. A partir dali, ele mesmo começou a raciocinar: "se eu quero um irmãozinho, de onde será que ele ou ela irá surgir?".
Um dia, ele soltou do nada, que sexo era "ficar beijando muito". Como a gente não assiste praticamente nada com conteúdo adulto em casa (sério mesmo, às vezes consigo colocar no noticiário mas o tempo todo em que a TV está ligada, é no netflix com desenhos e filmes infantis) perguntei onde ele tinha visto aquilo, mas ele ficou sem graça e não quis falar. Mesmo por que, não tem como criar uma criança em uma bolha, isolada do mundo. Uma hora ou outra essa questão vai aparecer.
E durante todo esse processo em que parei de tomar o anticoncepcional para tentar engravidar, ele foi se mostrando curioso e ansioso pela chegada do irmãozinho. Foi aí que a gente começou a explicar aos poucos de onde os bebês realmente vêm.
"Era uma vez, uma cegonha..." - brincadeira, não foi assim não hahaha...
"Filho, quando duas pessoas se amam, elas ficam muito juntas. Se beijam, fazem carinho... E quando esse amor é de casal e elas querem ter um bebê, eles namoram e o papai coloca uma sementinha na mamãe. Essa sementinha vai crescendo, vira um ovinho, vai se desenvolvendo até ir se transformando em um bebê dentro da mamãe."
"E onde ficam essas sementinhas?"
"No "saquinho", você já deve ter também, mas antes da adolescência elas ficam quietinhas aí."
Ele se contentou com a explicação - por enquanto - e percebemos que ele vem assimilando as informações aos poucos, no tempo dele. Sem pressa pra que ele entenda tudo de uma vez, sem insistência, sem enganação. Respondemos o que ele pergunta, e quando ele pergunta.
Fizemos o correto? Fizemos tudo errado? Não sei.
Cada família dá a explicação que acha melhor, que se adequa melhor à personalidade da criança, faixa etária, e de entendimento.
O que eu sei é que muitos pais evitam conversar sobre sexo, sexualidade com os filhos e depois o que a gente vê muitas vezes são adolescentes confusos que nem conhecem o próprio corpo.
E cá pra nós, a gente sabe o tanto de em que isso resulta né?
Falando em corpo, o próprio ato da criança se tocar já é um tabu em si. Principalmente para as meninas.
Curiosidade é algo TÃO normal pra quem está descobrindo o mundo...
Aqui em casa a gente costumava tomar banho todos juntos. Tomei banho com o Pietro até pouco tempo, só paramos porque agora ele quer mostrar que sabe tomar banho sozinho.
Mas ficamos nus na frente uns dos outros quando saímos do banho, sem constrangimento. Tanto é que ele nunca ficou me perguntando qual a diferença entre meninos e meninas, porque ele já sabia desde sempre o que é uma vagina.
Ele sabe que a irmãzinha vai ter uma vagina sem pêlos, porque os pêlos começam a crescer na adolescência. Ele já viu o pênis do pai inúmeras vezes, e sabe que vai ter o corpo parecido.
Eu não fui criada assim, nem meu marido. E tirando a hipocrisia de lado, precisamos pensar em como certas coisas podem mexer a longo prazo com aquele novo ser humano que a gente quis colocar no mundo, e procurar melhorar, ensinar, esclarecer, apoiar.
No fundo, eu acho que quanto mais mistério se faz sobre uma coisa, mais conclusões erradas se têm sobre ela.

13 de janeiro de 2016

Sobre Maternidade Ativa x Machismo

Às vezes a gente fica numa situação linear entre uma causa e outra, mas depende mais da interpretação e adaptação de cada uma do que realmente parece. Vou explicar:
Li ontem um post no Facebook que acusava a Maternidade Ativa (que venho defendendo aqui todos esses anos) de ter cunho machista.
A pessoa entendeu de alguma forma, que as obrigações caem sempre nas costas da mãe, que é uma forma de maternar que deixa a mãe sugada, etc.
A minha maneira de enxergar o que é a Maternidade ativa é totalmente o contrário disso. É praticar um tipo de "ativismo na maternidade". É a mãe ter autonomia de escolher o que quer para a criação de seus filhos, usando seus instintos, sem interferência de modelos pré-estabelecidos, pitacos de outras pessoas e da mídia que tenta convencê-la de todas as formas de que ela é substituível por seus variados produtos.
Na maioria das vezes, o que faz a gente se sentir sugada é a pressão da sociedade justamente para seguirmos esses modelos pré-estabelecidos, a publicidade que mostra um estereótipo de mulher-mãe irreal para a maioria, etc. Não a maternidade ativa.
Quanto à Criação com Apego, venho acompanhando vários sites, livros, etc e todos eles têm um ponto em comum: ela NÃO tem um manual a ser seguido.
Nem todas as famílias que praticam a Criação com Apego, por exemplo, também praticam a cama-compartilhada, usam sling, nem todas amamentam prolongadamente...

>>>>> Não existem regras na criação de filhos! <<<<<<

O que existem são informações sobre os benefícios x malefícios nas crianças a longo prazo sobre algumas práticas.
Cabe a cada família escolher e adaptar essas informações em sua vida diária.
Eu, por exemplo, me preocupo BASTANTE com bebês e crianças. E assim como AMO animais e mudei meus hábitos pensando neles, depois que me tornei mãe tenho feito o mesmo pelos meus filhos.
Será que estou errada?

11 de janeiro de 2016

Mudança de Hábito: Alimentação depois dos filhos

Quando a gente está solteira(o), come qualquer coisa na rua mesmo e pronto, o que for mais "prático" numa rotina de trabalho e estudos. Se morar com os pais, é mais prático ainda.
Mas tem uma hora em que precisamos seguir um rumo na vida.
Geralmente as pessoas saem de casa, algumas se casam e têm filhos - não necessariamente nessa mesma ordem - e essas mudanças requerem novas adaptações.
Todo mundo sabe (pelo menos deveria saber) que a vida depois dos filhos, muda.
Mudanças em certos aspectos da rotina, de hábitos diários, mesmo. Desde a hora de dormir, até locais que passamos a frequentar, outros que deixamos de frequentar, amizades que se findam e outras novas que surgem.
Mas uma coisa muito interessante que aconteceu com a gente aqui em casa foi a mudança de hábitos alimentares.
Eu, por exemplo, nunca comia feijão quando morava com meus pais. Água, pra mim, era o mesmo que coca-cola. Devorava pacotes de bolachas recheadas de uma vez só.
Meu marido também não comia muito bem. Me lembro de uma vez em que ele almoçou coxinha com toddynho!
Quando a gente começou a morar juntos, as coisas começaram a mudar.
Fui aprendendo a cozinhar algumas coisas, e como ele gostava muito de feijão, eu aprendi a fazer e passei a comer também.
Com o tempo fomos aprendendo a preparar alguns pratos em casa, mas ainda comíamos bastante fora de casa.
Na gravidez do Pietro me senti na obrigação de me alimentar melhor, então eliminei alguns hábitos antigos e passei a me preocupar mais com isso.
Depois que o Pietro nasceu, e quando começou a introdução alimentar, foi o auge da mudança de hábitos alimentares em casa.
Até cheguei a comprar algumas vezes aquelas papinhas industrializadas na intenção de facilitar as coisas para a minha mãe, que ficava com ele. Mas como aquele treco é horrível, além de nada nutritivo, fomos fazendo comida caseira e a minha mãe só tinha que esquentar a marmitinha.
Pietro foi aprendendo a comer todo tipo de legumes, verduras e frutas. Ele comia carnes também, já que na época não éramos vegetarianos.
O refrigerante nós conseguimos evitar até 2 anos. Se fosse hoje em dia, teríamos adiado por mais tempo, pois não queria que ele ficasse viciado como eu.
Ah, falando em refrigerante, meu marido conseguiu me ajudar a diminuir bastante o consumo substituindo por sucos de frutas.
Quando o Pietro tinha 2 anos, meu marido e eu decidimos nos tornar Vegetarianos (já contei aqui como foi essa decisão).
Para o Pietro não estranhar tanto, fomos deixando de fazer carnes pra ele aos poucos até chegar um ponto em que não fazíamos mais em casa. Ele comia carne na casa da minha mãe e dos parentes.
Um ano depois, ele decidiu ser Vegetariano também, e até hoje não demonstrou vontade de comer algum tipo de carne, mesmo tendo que comer pão com manteiga na escola quando o cardápio era pão com carne...
Então, especialmente depois que nos tornamos uma família Vegetariana, passamos a adicionar uma variedade cada vez maior de grãos, legumes, verduras e frutas em casa.
Não dá pra dizer que somos "naturezas", porque de final de semana as vezes comemos lanches, pizza, um pouco de refrigerante... Mas cozinhamos todos os dias.
Meu marido descobriu o gosto pela cozinha e faz as receitas que pega na internet, então todos os dias descascamos cebola e alho, colocamos algum tipo de grão pra cozinhar, fazemos saladas, refogados...
Nessa gravidez cortei refrigerantes e café, principalmente por causa da azia. E tenho comido arroz integral, alternando com o branco que eu tanto gosto.

Aprendi a gostar de muitas coisas que antes odiava, e meu marido também. É claro que o Pietro gosta de doces, frituras e afins. Mas ele não pode se alimentar só desse tipo de coisa.
O fato é que se quisermos que nossos filhos tenham bons hábitos alimentares e uma saúde melhor que a nossa, precisamos dar o exemplo, não é mesmo?

9 de janeiro de 2016

Eu sou uma mãe Extraterrestre (ou devo ser)

É, é isso mesmo que você acabou de ler. Só posso ser uma E.T. ou algo do tipo, sabe por quê?
Acabei de ler um post em outro blog, em que uma mãe conta que foi "julgada" por não amamentar seu bebê por mais que 6 meses. Ela diz também que parentes e amigos também tinham essa postura com ela. Olhavam com cara de reprovação, e ela até tinha vergonha (isso mesmo- vergonha) de dar a mamadeira pro bebê dela em público.
No post ela também reclama que a mídia fica divulgando sobre amamentação, mostrando mães amamentando felizes seus bebês, mas que não passam informações consistentes sobre amamentação.

Gente, tem alguma coisa de estranho nisso aí, porque no mundo em que eu vivo é totalmente ao contrário do que ela relatou!!!
O que a gente mais vê é mulher com vergonha de pôr os peitos pra fora, para amamentar!
Daí fiquei preocupada, porque se ela vive no Brasil como eu, e diz que acontece tudo isso aí... Onde é que estou vivendo?!

Vou explicar:
Assim que o Pietro nasceu, em 2009, me mandaram dar fórmula pra ele ( deram no hospital, alegando que o ajudaria a se satisfazer mais do que com o meu colostro).
A moça que ficou no mesmo quarto que eu, disse que assim que saísse do hospital, compraria mamadeira e leite NAN, porque não aguentava mais ter que amamentar toda hora.
Vários parentes e amigos nos aconselharam várias vezes a dar mamadeira para o Pietro, chupeta com açúcar, vários tipos de fórmulas... Porque se ele chorava, era que meu leite não estava sustentando (de novo essa mesma história repetidas vezes).
Chegamos a comprar a tal fórmula, porque de tanto ouvir que a culpa do choro dele era meu leite fraco, decidimos fazer um teste. Só que eu queria MUITO amamentar. MUITO MESMO! Cheguei até a chorar quando compramos a lata de leite...
Então, entrei num grupo do falecido Orkut chamado GVA - Grupo Virtual de Amamentação e pedi ajuda.
Comecei a ler todos os textos indicados pelo grupo, que nem uma doida. E a primeira coisa que me disseram foi: "seu bebê está perdendo peso?" Não, ele tinha praticamente dobrado de peso antes mesmo de completar 4 meses. Vinha engordando e crescendo em ritmo acelerado. E o choro cessava quando eu o colocava no peito, mesmo que fosse pra mamar um pouquinho e depois ficar só lá, cochilando no meu colo.
Então eu me toquei de que o problema não era meu leite, que ao invés de fraco, era muito forte isso sim!
O "problema" é que eu estava desacreditando de mim como mãe. Desacreditando da minha capacidade de amamentar, de tanto ouvir os outros dizendo que eu era o " defeito". Se eu não tivesse acordado para isso, a amamentação teria ido pelo ralo...
Quanto à mídia... Bem, se eu vi UMA campanha a favor do Aleitamento Materno na TV nesses 7 anos, foi muito. Na verdade eu nunca cheguei a ver propaganda nenhuma pró- aleitamento na TV, nem as do Ministério da Saúde.
E as novelas, filmes, propagandas... TODAS mostram bebês com mamadeiras e chupetas. Duvida? Preste atenção.
Até as bonecas vêm com mamadeirinhas e chupetas de brinquedo, induzindo as meninas a acharem que aquilo é o "natural" desde crianças.
O único ponto em que concordei com esse texto foi quando ela disse que não há informações de qualidade pra todas as mães, na mídia. Realmente isso é um fato.
Raras exceções já ouviram falar em relactação, por exemplo. Que é quando a mãe amamenta com sonda e leite artificial grudados no peito, pra estimular o organismo a voltar a produzir leite (solução para quem diz que o leite secou, olha que maravilha!)
Mas, sabe... Eu percebo que assim como hoje em dia vivemos uma batalha para conseguir informações corretas sobre parto, isso também acontece com a amamentação. Tem que procurar MUITO, acreditar MUITO e persistir MUITO. Senão você é levada pela enxurrada do marketing do leite artificial e bye-bye amamentação!

Às vezes junta tudo numa coisa só, e a mãe não quer admitir que pra ela é mais cômodo desmamar aquele bebê que demanda atenção demais, ela já nem está tão a fim de amamentar mais, está cansada, e acaba "se rendendo" à fórmula.
Ninguém tem nada a ver com isso (além do bebê, claro), mas que a verdade seja dita, porque senão acredito que estou vivendo em um mundo paralelo, sou uma extraterrestre mesmo e tudo que vi e vivi nesses últimos 6, 7 anos é viagem da minha cabeça alienígena, e não uma escolha consciente de uma mãe.
É só fazer uma pesquisa rápida: Quantas mulheres que você conhece, amamentaram até depois dos 6 meses?

Respondendo a essa pergunta a gente consegue descobrir se estamos vivendo realmente numa "ditadura da amamentação", com um monte de mães com peitos pingando leite e julgando as outras minorias que não conseguiram amamentar... Em um país com média de amamentação de 54 míseros dias... Sei...
Mulheres: nós podemos fazer muito mais que isso. Não é fácil, mas é muito mais que possível!
Se estiver com dificuldades, peça ajuda!
Se não quiser mais, tome uma decisão consciente e livre-se do sentimento de culpa. Porque afinal de contas, decisões conscientes não devem deixar sentimento de culpa em ninguém.
#ETfeelings
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