16 de janeiro de 2016

E você, já falou sobre sexo com seu(a) filho(a)?


"- Mamãe, de onde vêm os bebês?"
Depois dessa frase, está lançada a sorte rs. Você tem poucos segundos para decidir entre uma fantasia (cegonha, repolho, etc) ou a realidade, muito delicadamente.

O interesse do Pietro surgiu quando ele começou a me pedir um irmãozinho. A partir dali, ele mesmo começou a raciocinar: "se eu quero um irmãozinho, de onde será que ele ou ela irá surgir?".
Um dia, ele soltou do nada, que sexo era "ficar beijando muito". Como a gente não assiste praticamente nada com conteúdo adulto em casa (sério mesmo, às vezes consigo colocar no noticiário mas o tempo todo em que a TV está ligada, é no netflix com desenhos e filmes infantis) perguntei onde ele tinha visto aquilo, mas ele ficou sem graça e não quis falar. Mesmo por que, não tem como criar uma criança em uma bolha, isolada do mundo. Uma hora ou outra essa questão vai aparecer.
E durante todo esse processo em que parei de tomar o anticoncepcional para tentar engravidar, ele foi se mostrando curioso e ansioso pela chegada do irmãozinho. Foi aí que a gente começou a explicar aos poucos de onde os bebês realmente vêm.
"Era uma vez, uma cegonha..." - brincadeira, não foi assim não hahaha...
"Filho, quando duas pessoas se amam, elas ficam muito juntas. Se beijam, fazem carinho... E quando esse amor é de casal e elas querem ter um bebê, eles namoram e o papai coloca uma sementinha na mamãe. Essa sementinha vai crescendo, vira um ovinho, vai se desenvolvendo até ir se transformando em um bebê dentro da mamãe."
"E onde ficam essas sementinhas?"
"No "saquinho", você já deve ter também, mas antes da adolescência elas ficam quietinhas aí."
Ele se contentou com a explicação - por enquanto - e percebemos que ele vem assimilando as informações aos poucos, no tempo dele. Sem pressa pra que ele entenda tudo de uma vez, sem insistência, sem enganação. Respondemos o que ele pergunta, e quando ele pergunta.
Fizemos o correto? Fizemos tudo errado? Não sei.
Cada família dá a explicação que acha melhor, que se adequa melhor à personalidade da criança, faixa etária, e de entendimento.
O que eu sei é que muitos pais evitam conversar sobre sexo, sexualidade com os filhos e depois o que a gente vê muitas vezes são adolescentes confusos que nem conhecem o próprio corpo.
E cá pra nós, a gente sabe o tanto de em que isso resulta né?
Falando em corpo, o próprio ato da criança se tocar já é um tabu em si. Principalmente para as meninas.
Curiosidade é algo TÃO normal pra quem está descobrindo o mundo...
Aqui em casa a gente costumava tomar banho todos juntos. Tomei banho com o Pietro até pouco tempo, só paramos porque agora ele quer mostrar que sabe tomar banho sozinho.
Mas ficamos nus na frente uns dos outros quando saímos do banho, sem constrangimento. Tanto é que ele nunca ficou me perguntando qual a diferença entre meninos e meninas, porque ele já sabia desde sempre o que é uma vagina.
Ele sabe que a irmãzinha vai ter uma vagina sem pêlos, porque os pêlos começam a crescer na adolescência. Ele já viu o pênis do pai inúmeras vezes, e sabe que vai ter o corpo parecido.
Eu não fui criada assim, nem meu marido. E tirando a hipocrisia de lado, precisamos pensar em como certas coisas podem mexer a longo prazo com aquele novo ser humano que a gente quis colocar no mundo, e procurar melhorar, ensinar, esclarecer, apoiar.
No fundo, eu acho que quanto mais mistério se faz sobre uma coisa, mais conclusões erradas se têm sobre ela.

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