26 de setembro de 2015

Sobre respeito e autonomia II - Por quê perfuramos as orelhas das meninas?

Quero começar esse post deixando bem claro que ele não trata de JULGAMENTO ou injúria à quaisquer pessoas que optaram por perfurarem as orelhas de suas filhas. É apenas um convite à reflexão sobre um assunto pouco discutido ainda nos dias de hoje. Mas, como acredito que a maternagem/ paternagem conscientes sejam a chave para a formação de seres-humanos melhores, compartilho aqui algumas informações.
Escrevi um texto, ano passado, chamado  Sobre respeito e autonomia - Pietro agora usa brinco em que conto sobre a decisão do Pietro (na época com 5 anos) de querer furar uma das orelhas.
No mesmo texto citei o hábito cultural das pessoas furarem as orelhas das meninas muito cedo, às vezes mesmo com alguns dias de vida, alegando que bebês novinhos não sentiriam dor.
Além disso, existe uma forte motivação estética para tal. É práticamente uma regra que meninAs tenham brincos, para assim serem reconhecidas como mulheres.
Perfurar as orelhas de um bebê parece ser um dos antigos rituais humanos em algumas culturas (principalmente indígenas). Seria um "rito de passagem",
Famílias em todo o mundo têm mantido esta tradição por milhares de anos, mas... Por quê somente com as meninas?
Será que as famílias pensam realmente se devem ou não ter as orelhinhas da bebê perfuradas, ou simplesmente o fazem sem pensar?
Será que a dor realmente é menor ou quase inexistente em bebês?
Por quê não podemos esperar até a criança atingir mais idade, para então escolher se quer ou não ter brincos, e se preparar para o momento da dor?
Conheço muitas mulheres adultas que não gostam de usar brincos.
Por outro lado, também conheço muitos homens que têm uma ou as duas orelhas furadas.
Isso sem falar nas celebridades masculinas adeptas do uso de brincos:







Por quê somente com as meninas?
Não consegui encontrar algum registro cultural que defina onde foi que essa tradição se tornou "obrigatória" somente às meninas.
Porém, ao analisarmos fatos históricos da sociedade patriarcal em que (ainda) vivemos, conclui-se que ele representa um ato de dominação sobre o corpo da mulher que se inicia desde cedo.
Basicamente é uma forma de se deixar claro desde o nascimento, que o corpo não pertence a ela (a menina) e sim aos adultos. Que o corpo dela não é dela, e que pode ser invadido por conveniência de outras pessoas, independente se isso causar dor, risco de saúde ou humilhação.
Que entre o bem estar delas e a estética, a estética é mais importante.
Pode parecer bobagem, mas você já parou para pensar nisso?

Será que as famílias pensam realmente se devem ou não ter as orelhinhas da bebê perfuradas, ou simplesmente o fazem sem pensar?
Perfurar as orelhas de uma menina, ainda enquanto é bebê, é uma modificação corporal feita com o intuito de ser uma marca de gênero. Para saberem que ali está uma criança designada como menina.
Tais limitações de gênero na primeira infância são uma das características de uma sociedade onde a desigualdade de gêneros impõe formas extremamente diversas de tratamento para as pessoas devido ao gênero designado a elas. Por isso ainda vivemos em uma sociedade extremamente homofóbica, preconceituosa e intolerante.

Será que a dor realmente é menor ou quase inexistente em bebês?
Esse é o grande argumento das famílias para justificarem a perfuração das orelhas de bebês.
Na minha opinião, é uma forma de se esquivar da culpa por fazer a criança passar pela dor, sem ao menos ter tido a chance de optar por ela.

"O estudo analisou 10 crianças saudáveis ​​com idades entre um e seis dias de idade e 10 adultos saudáveis ​​com idades entre 23 e 36 anos. Os bebês foram recrutados a partir do Hospital John Radcliffe, em Oxford, e voluntários adultos foram recrutados entre estudantes e a equipe da Universidade de Oxford.
Durante a pesquisa, os bebês, acompanhados pelos pais e corpo clínico, foram posicionados em um scanner de ressonância magnética enquanto dormiam. Exames de ressonância magnética foram então realizados enquanto os bebês recebiam uma leve “picada” em seus pés – como se fosse a picada de um lápis - leve o suficiente para não acordá-los. Esses exames foram então comparados com imagens do cérebro de adultos expostos ao mesmo estímulo de dor.
Os pesquisadores descobriram que 18 das 20 regiões cerebrais ativas durante a dor em adultos estavam ativas em bebês. Os resultados da ressonância magnética também mostraram que os cérebros dos bebês tiveram a mesma resposta a um fraco 'puxão', como ocorreu em adultos com um estímulo quatro vezes mais forte. Os resultados sugerem que não só os bebês têm uma experiência com a dor muito parecida com os adultos, mas que eles também têm um limiar de dor mais baixo."
Leia mais sobre os resultados da pesquisa feita pela Universidade de Oxford: 
E se você ainda tem dúvidas quanto à dor, assista esses vídeos e observe atentamente as reações dessas bebês:
Recém-nascida, vídeo no Facebook: https://www.facebook.com/1522875671310667/videos/1586444824953751/?pnref=story

Bebê de 4 meses, vídeo do Youtube: 

Por quê não podemos esperar até a criança atingir mais idade, para então escolher se quer ou não ter brincos, e se preparar para o momento da dor, sendo menino ou menina?
Então, se já sabemos que SIM, bebês sentem dor, e que perfurar as orelhas das meninas é mera motivação por estética, por quê não deixamos as crianças serem crianças, aproveitarem suas fases, e então no momento certo para elas em que optarem por terem o adereço, poderíamos acompanhar responsávelmente o processo?
Procurar um local adequado, com instrumentos esterilizados, e conversar MUITO sobre o que estará por vir.
Assim estaremos ensinando sobre responsabilidade, consequências de nossos atos, a fazerem escolhas próprias, a respeitarem seu próprio corpo, sua saúde e integridade. Tudo isso em um ato aparentemente simples, mas que carrega muito mais do que uma tradição estética.
Adultos precisam parar de verem crianças como propriedade. "A filha é minha, faço o que quiser!" - Isso é um absurdo.
Cabe a nós, famílias, educarmos positivamente essas crianças, pois são elas que conviverão em sociedade com as outras muito em breve. E que tipo de sociedade queremos ter?
Por quê é que se flagrarmos uma pessoa furando as orelhas de um filhote de cachorro, por exemplo, a denunciamos por maus-tratos, e quando isso acontece com uma bebezinha simplesmente achamos normal? 
Fica aqui meu convite a reflexão.

Fontes: links no texto, opiniões pessoais e comentários de Sarah Helena (educadora).

16 de setembro de 2015

Aniversário de 6 anos, fim do "quarto-compartilhado" e mudanças

Tantas coisas têm acontecido recentemente, que mal tenho tido tempo pra contar aqui.
Fiz um curso no trabalho e em breve farei uma prova de certificação que está tirando meu sono rs. Mas gostaria de compartilhar essa novidade sobre o Pietro não dormir mais no nosso quarto.
Agora ele tem um quarto só para ele.
Mudamos de casa há duas semanas atrás, e ele ficou bastante empolgado com a idéia de ter um quarto. Fiquei um pouco desconfiada, mas não percebi insegurança da parte dele em nenhum momento.
Arrumamos o quarto, demos boa noite e ele dormiu tranquilamente. A cama-compartilhada já tinha acabado (O fim da Cama-Compartilhada),  e agora também o quarto-compartilhado já ficou no passado.
Dia 01/09 o Pietro completou 6 anos. SEIS anos!!! Caramba, como o tempo voa!
E devido a mudança de casa, precisamos atrasar um pouco mais a festinha dele. Mas valeu muito a pena, porque além de ser na "casa nova", foram muitas crianças e todos se divertiram bastante.
O tema foi como ele havia pedido, da banda Kiss:

Como sempre, tudo bem simples e em casa. A ajuda da minha cunhada Iara mais uma vez foi o que fez a diferença, ela é super caprichosa com a decoração.
Os salgadinhos foram todos ovolactovegetarianos (já que o Pietro é), com exceção das coxinhas Veganas feitas pela Erika Bongusta que além de estarem deliciosas, surpreenderam por serem de jaca verde rs. A gente já tinha experimentado coxinha de jaca verde na nossa viagem à fazenda Nova Gokula, e a Erika conseguiu me fazer lembrar de como elas são apetitosas.
O bolo também era Vegano, e o recheio tinha mousse de chocolate feito de aqua-faba e morangos.
Como falei, tudo bem simples mas gostoso.
E o mais importante foi rever amigos e ver a criançada brincando.

Tenho sentido vários "sintomas" nessa gravidez que não tinha tido (ou não me lembro) na gravidez do Pietro... Já vomitei mais vezes do que na gravidez dele inteira, tenho tido tonturas, cansaço...
Estou chateada por ter conseguido horário com a ginecologista tão longe... Me sentindo meio perdida, sabe?
Amanhã vou tentar um encaixe pra alguma data antes do que estava marcado, porque senão vou ter que esperar até o mês que vem.
Ao menos já tenho uma doula, minha amiga Rubi que até já escreveu um relato sobre maternagem aqui no blog.
Vamos ver... Enquanto isso tenho procurado dicas naturais pra aliviar os enjôos, que estão com tudo!
Sobre ciúmes dx irmãozinhx, o Pietro não tem demonstrado não.
Na verdade, decidi engravidar também por pedido dele, que há dois anos vem insistindo na idéia de ter um irmãozinho ou irmãzinha. Mas ele tem tido um pouco de comportamento agressivo em alguns momentos, e eu entendo que são muitas mudanças na vida de uma criança.
Mudança de casa, de quarto, de vida de filho-único... É compreensível, mas a gente tem conversado MUITO com ele, também.
Acho que vai ser importante manter o diálogo e o envolvimento dele nessa etapa das nossas vidas.

14 de setembro de 2015

Bebê-conforto, cadeirinha ou assento de elevação? Segurança no carro.

Até há pouco tempo atrás não se falava sobre segurança das crianças dentro dos carros.
Quem nunca ouviu os pais ou avós contarem das viagens de horas a fio que faziam em família, e em que as crianças iam amontoadas no banco de trás, no porta-malas, etc...?




Veja mais imagens bizarras assim aqui.

Ainda bem que as coisas tendem a evoluir pro melhor (pelo menos deveriam né), e hoje em dia, crianças não podem andar de carro sem segurança adequada de acordo com cada faixa etária.

ASSENTO INFANTIL (conchinha, bebê-conforto, infant seat) 

Enquanto o bebê não conseguir se sentar e manter o equilíbrio da cabeça, deve ser usado o assento tipo concha instalado com leve inclinação no sentido oposto ao da posição normal dos bancos do veículo (a criança deve ficar de costas para o assento da frente do automóvel). Esta posição evita que a cabeça dela seja submetida a impactos em caso de freadas e colisões, diminuindo o risco de traumas da coluna cervical. Nos impactos frontais as forças serão distribuídas pela maior parte da superfície corporal. 
O assento infantil deve ser usado desde o nascimento até, pelo menos, a criança completar um ano de idade. É contraindicado colocar o bebê, no assento infantil, de frente para a via até atingir o peso de 9 kg.


ASSENTO CONVERSÍVEL 
Maior que o assento infantil, com suporte para a cabeça mais alto, este equipamento de segurança poderá ser posicionado semi-reclinado e, assim, ser usado por crianças de peso maior, até 13 kg, que ainda não completaram 1 ano. Para maior proteção, a criança pode continuar sendo transportada nesses dispositivos de segurança voltada para a traseira do veículo, enquanto o topo da sua cabeça não ultrapassar o limite de altura do assento infantil.

CADEIRINHA DE SEGURANÇA (forward-facing seat) 

É utilizada a partir de 1 ano de idade, momento em que a criança já possui pleno controle do pescoço e da cabeça, até a idade de 4 anos, ou aproximadamente 18 kg. Nesta fase, a cadeirinha da criança deve ser instalada voltada para a frente do veículo e mantida preferencialmente na posição central do banco traseiro, se este local for equipado com um cinto de segurança de 3 pontos.

ASSENTO DE ELEVAÇÃO (booster) 
Indicado nas situações em que a cadeirinha se tornou pequena, mas a criança ainda não tenha alcançado altura suficiente para utilizar o cinto de segurança do veículo. Este equipamento é especialmente projetado para se ajustar ao banco traseiro do automóvel, elevando a criança a uma altura que permita que o cinto de segurança fique corretamente posicionado. O cinto de segurança do automóvel ideal para este posicionamento é o de três pontos. Seu uso é aconselhado até a criança atingir 36 kg, o que costuma ocorrer ao completar aproximadamente 10 anos de idade. 

CINTO DE SEGURANÇA

Os cintos de segurança dos automóveis foram projetados para adultos. Enquanto a criança não puder ser por ele contida de maneira apropriada, um assento de segurança deverá ser utilizado. As crianças e os adolescentes geralmente não se adaptam ao cinto de segurança do veículo até atingir a estatura mínima de 1,45 m, aproximadamente aos 10 anos de idade. O cinto de segurança estará adequado quando a faixa transversal passar sobre o ombro e diagonalmente pelo tórax, e a faixa abdominal ficar apoiada nas saliências ósseas do quadril ou sobre a porção superior das coxas. 


FALHAS MAIS FREQÜENTES NO TRANSPORTE DE CRIANÇAS EM VEÍCULOS
  • as falhas mais freqüentes referem-se a crianças transportadas no banco da frente e/ou ao uso inapropriado dos dispositivos de segurança. 
  • alguns pais permitem que as crianças viagem no porta-malas, o que é perigoso. 
  • crianças com idade inferior a 1 ano transportadas em cadeirinhas instaladas de frente para o painel do veículo; 
  • sentadas no banco traseiro sem dispositivos de segurança; 
  • transportadas presas apenas pelo cinto de segurança do veículo sem que tenham atingido altura suficiente para utilizá-lo; 
  • em pé no assoalho ou nos bancos, independentemente da localização do assento. 
Mesmo que a criança não queira ficar no dispositivo de segurança (chore porque não quer ficar no bebê-conforto, ou reclame que está grandinho para ficar no assento de elevação), é importante sempre mantê-la protegida. Conforme a criança vai crescendo, cabe a nós, pais, explicarmos sobre a importância deles estarem passeando / viajando em segurança.

8 de setembro de 2015

Primeiro Ultrassom, Segundo bebê.

Hoje foi o dia de fazer o primeiro ultrassom do segundo bebê.
Filho ou filha, não importa. Que venha com muita saúde!
De acordo com a data da última menstruação eu estaria com 8 semanas exatamente hoje, mas de acordo com o ultrassom estou de 7 semanas e 1 dia.
Mesmo minúscul@, já deu para ouvir os batimentos cardíacos, a vesícula ali do lado (parece uma bolinha) e foi muito bom.
http://www.perinatal.com.br/fases_gravidez.aspx

Tenho tido bastante enjôo, inclusive no último Domingo vomitei bastante.
Mudamos de casa nesse final de semana, e apesar de tentar não pegar muito pesado, fiquei bastante cansada. Além disso precisamos arrumar a casa para a festinha de aniversário do Pietro, que mesmo atrasada vai acontecer.
Estou bastante sensível, um pouco irritada e sem paciência... Mas também, com tantos hormônios fazendo festa dentro de mim, não tem como ficar indiferente rs.
Escrevi um textinho na página do Blog, no Facebook que gostaria de compartilhar aqui com vocês.
É sobre uma reflexão que me veio hoje, depois de tantas emoções em ver meu bebê se formando dentro do meu útero. Vez ou outra me bate um receio de perdê-lo, mas acho que é totalmente normal sentir esse medo e muitos outros.

"Vou dizer uma coisa agora que acho super chato, mas enfim...
Uma moça de um dos grupos que participo teve um aborto espontâneo. Aconteceu, ela perdeu o bebê.
Daí vem comentários como: "ah, eu sempre oro pelo meu", ou então "me sinto abençoada pela minha gravidez" e tal.
Não me aguentei e questionei se quem comentou esse tipo de coisa, acha que foi por falta de oração que a moça perdeu o bebê.
Gente, parem.
Ser mãe não é uma bênção concedida a pessoas especiais, não. Gravidez é fisiológica, agora o que a pessoa vai fazer a partir dali que é o que realmente importa. Pode ser uma "bênção" ou uma "maldição", para algumas pessoas.
Deus, o Universo, a Grande Mãe (seja qual for o nome) pode até dar o empurrãozinho. Mas não acredito em menos ou mais orações (sem qualidade), não acredito num deus punitivo que brinca com os sentimentos das pessoas.
Não era pra ser. Simples assim.
E vamos cuidar do que a gente sai dizendo por aí, pra não magoar outras mulheres que passam por abortos ou que nunca vão gerar filhos mas que podem ser ótimas mães.
A gente pode e deve se sentir feliz, pensar positivo, se conectar com o Divino. Mas se sentir privilegiada ou mais especial... Não." 


Me desculpem se parecer muito radical ou o quê. Mas que atire a primeira pedra aquela que nunca teve medo de perder um filho... Penso nisso toda noite, e acho que é até instintivo.
Agradeço ao Universo pela oportunidade de ser mãe, mas também não posso deixar de expressar minha solidariedade àquelas que passam por tristezas na vida.
Eu estou muito feliz hoje, e gostaria de dividir isso com TODAS, sem exceção :-)

4 de setembro de 2015

Leites Vegetais: Fáceis, práticos e nutritivos.

Comentei lá na página do blog que vou postando algumas receitas e dicas simples Veganas para ajudar outras famílias com sugestões de cardápio, e também para aquelas que têm crianças com APLV (Alergia à Proteína do Leite de Vaca).
Mas por quê receitas Veganas?
Ora, quem acompanha o blog ou me conhece, sabe que aqui em casa somos Vegetarianos, e eu sou a única a aderir ao Veganismo há cerca de 1 ano e meio. Meu marido e o Pietro são ovolacto-vegetarianos, ou seja, consomem derivados do leite de vaca e ovos.
Sendo assim, e como a maioria das refeições que a gente prepara em casa são Veganas (sem carnes, leite e ovos), resolvi compartilhar um pouco dessa experiência.
Participo de vários grupos sobre alimentação infantil no Facebook, inclusive aqueles com bebês e crianças que possuem alergias alimentares. Percebo que a maioria das pessoas se descabela quando descobre algum tipo de alergia alimentar nas crianças, e realmente não é nada fácil ler as letrinhas minúsculas dos rótulos para identificar os ingredientes de que cada um é composto.
Mas, a intenção é mostrar que dá sim para viver (e bem) sem derivados do leite animal.

Sempre fui defensora e incentivadora do aleitamento materno, pois pude amamentar meu filho até os 2 anos e meio e sei da importância e dos benefícios tanto pra mim quanto para ele.
Sei que não é fácil, inclusive contei aqui no blog sobre todas as dificuldades que tivemos que superar para chegarmos nesses mais de 2 anos de amamentação. Por isso acho importante dizer que a amamentação é um processo, um trabalho em conjunto, onde a mãe precisa receber apoio e informação para que aconteça com sucesso.
Portanto, tanto a Organização Mundial de Saúde quanto o Ministério da Saúde ressaltam a importância do aleitamento materno exclusivo até os 6 meses, e depois continuado até 2 anos ou mais. Ou seja, nada de chás, sucos, água, leites que não sejam o materno até os 6 meses do bebê.
A partir dos 6 meses é feita a introdução alimentar, onde se oferece outros alimentos à criança.
No caso da mãe não conseguir amamentar (nós sabemos que isso acontece com frequência, infelizmente), o bebê precisará de fórmula específica até os 6 meses.
Eu, particularmente, não recomendaria algum outro substituto ao leite materno que não seja a fórmula, nessa idade. Por questões nutricionais, mesmo.
Se existe alguma fórmula láctea Vegana no mercado brasileiro, eu não conheço. Mesmo no caso das feitas com soja, todas as marcas testam em animais portanto não podem ser consideradas Veganas.
Além disso, a soja é altamente alergênica nos primeiros meses de vida.
No caso da não-amamentação, eu daria alguma fórmula recomendada pelo pediatra até os 6 meses, e depois introduziria os leites vegetais feitos em casa. Em casos de APLV, existem as fórmulas de leite hidrolisado.
Já conheci casos de bebês que não foram amamentados e que consumiram leites vegetais com menos de 6 meses, mas eu tenho minhas dúvidas...
Enfim, reuni aqui algumas receitas de leites vegetais tanto para crianças que já saíram do aleitamento exclusivo (ou fórmula) quanto para mães que amamentam bebês com APLV e também - claro - para outras famílias adeptas ao Vegetarianismo / Veganismo.
Para mais referências sobre a ligação entre Aleitamento Materno e Veganismo, leia o post Aleitamento materno e Veganismo: Fazendo a conexão

LEITE DE AVEIA
Coloque 150 ml de aveia em flocos de molho em 1 litro de água, por cerca de 20 minutos.
Em seguida, bata no liquidificador.

Guarde em jarra de vidro esterilizada ou pote de vidro, bem fechado, na geladeira.
Para bebês, pode fazer cozido, como um mingau ralo.
Coloque 250ml de água para cada 3 colheres de aveia, e leve ao fogo, com uma pitada de sal.
Para dar mais sabor, coloque raspas de laranja, bata com uma fruta doce, acrescente baunilha em favas ou cacau, alfarroba…
Evite alimentos crus para bebês pequenos, pelo risco de contaminação. A menos que a família seja crudívora, e saiba lidar com esse tipo de alimentação adequadamente.

LEITE DE GERGELIM ou LINHAÇA
2 xícaras de água
4 colheres de sopa de sementes de gergelim

Deixe as sementes de molho por cerca de 3 a 4 horas. Bata no liquidificador, depois coe.
Esse tipo de leite é melhor para uso em receitas como de pães, bolos, etc.
Não é aconselhável a ingestão de gergelim ou linhaça em quantidades maiores que 1 colher de café ao dia para crianças muito pequenas.
Essas sementes devem ser sempre hidratadas ou germinadas, e oferecidas sem a casca.
O gergelim é alergênico, portanto não deve ser oferecido aos bebês e crianças menores de 1 ano, á menos que comprovado que não há risco para a saúde.

LEITE DE CASTANHAS com AVEIA
1/2 litro de água fervente
3 castanhas do Pará
2 colheres de sopa de flocos de aveia
1 pitada de sal

Deixe de molho por cerca de 1 hora, depois bata tudo no liquidificador.Coe. Pronto.
Ideal para uso em receitas de bolos, bolinhos, tortas, etc.
As castanhas e nozes possuem potencial alergênico, e elementos tóxicos se ingeridos em quantidade superior á recomendada ao dia.
O consumo de frutas oleaginosas deve ser extremamente moderado para crianças menores.

LEITE DE ARROZ
1 xícara de arroz cru lavado (prefira arroz moti, arbóreo ou integral)
4 xícaras de água, 1 pitada de sal marinho
Deixar de molho por cerca de 4 horas.

Coloque o arroz para cozinhar em fogo baixo, até que fique cozido e empapado. Não deixe a água secar. O caldo deve estar com os níveis sempre acima dos grãos de arroz, mesmo depois de cozido.
Deixe esfriar. Coloque a água do cozido com auxilio de uma concha, e algumas colheres do arroz já cozido, no liquidificador, com a própria água.
Para acrescentar cálcio á receita, coloque 2 castanhas de molho em água fervente, por 4 horas, e bata junto com o arroz, ou acrescente 1 colher de café de gergelim ou linhaça germinados ou hidratados, ou misture o arroz com  Quinoa, que é rica em cálcio.
Coe em coador de pano grande (de café ou similar).

LEITE DE COCO
Limpe 2 cocos médios.Retire a polpa. Pique e bata no processador ou iquidificador, com pouca água do próprio coco.
Transfira para um pano fino (tipo tule), ou uma peneira extrafina. Esprema para tirar todo o seu leite.
Ou faça dessa maneira:
Coloque o bagaço do coco em uma vasilha.
Misture com água. Deixe de molho por 30 minutos.
A seguir, despeje em um coador de pano e esprema bem.
Guarde em jarra de vidro esterilizada.

LEITE DE QUINOA
1/2 copo de grãos de quinoa lavada
2 xicaras de água filtrada

Coloque a quinoa de molho em água, em uma tigela de vidro.
Cubra com uma tampa ou filme plástico. Deixe na  geladeira durante a noite.
Na manhã seguinte, escorra a quinoa e passe em água limpa.
Coloque em uma panela, junte as 2 xícaras de água  e leve ao fogo até ferver.
Deixe amornar e bata no liquidificador, acrescentado água aos poucos, se necessário.
Coe utilizando coador de pano grande (de café).

LEITE DE AMÊNDOAS 
Coloque as amêndoas de molho (200g) em uma vasilha com cerca de dois dedos acima.
Deixe por cerca de 1 hora. Despreze a água.
Bata com água (1 litro).
Coe utilizando coador de pano grande (de café).

Meu leite de amêndoas com café, que tomo de manhã :-)
Leites vegetais caseiros são muito fáceis de fazer, e bem mais baratos do que os industrializados. Além de serem bem mais saudáveis.
Veja mais receitas e informações sobre nutrientes dos leites vegetais:
http://www.cantinhovegetariano.com.br/2007/05/leites-vegetais.html
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