12 de novembro de 2014

Bernardo e a criança "terceirizada".

Na semana passada, o Pietro trouxe para casa um boneco que faz parte de uma atividade pedagógica proposta pela professora da creche.
O nome do boneco é Bernardo: feito de pano, macio e estava até um pouco sujinho devido contato com muitas crianças.
O Pietro (assim como todas as crianças que o levam para casa) tinha que 1- Ler o livro com a história do Bernardo, 2- Cuidar do boneco durante o final de semana, e 3- Fazer um relatório contando como tinha sido a experiência.
O livro se chama "Agora não, Bernardo!" e foi escrito por David Mckee.

 
Na história, o menino Bernardo sofre com a falta de atenção dos pais, e acaba sendo engolido por um monstro. Mesmo assim, ninguém percebe o ocorrido e continuam tratando o monstro como se fosse o menino. 

Ao lermos o livro para o Pietro, tanto eu quanto meu marido (e até minha mãe) ficamos bem tristes pois se trata de uma situação tremendamente triste, mesmo.
Ficamos pensando no que significa a representação desse monstro que engole o Bernardo... 
Me lembrei do livro "A criança terceirizada" do Dr José Martins Filho e apesar de não tê-lo lido inteiro ainda, imagino que esse monstro tenha total relação com o "monstro do desprezo, do sentir-se um lixo, sentir-se um monstro, mesmo."

Aqui o Dr Martins explica um pouco sobre o que ele chama de "criança terceirizada", e foi o que o livro de David McKee me fez lembrar e fazer essa conexão, pois pra mim ambos estão falando sobre a mesma problemática:



Que crianças estamos criando?
O pediatra José Martins Filho, autor de A Criança Terceirizada, avalia os prejuízos causados pela ausência dos pais nos cuidados com os filhos
Leia matéria completa aqui.


Enfim... Pietro cuidou do boneco como se fosse outra criança: dormiram juntos, brincaram juntos, nós passeamos juntos... E conversamos bastante sobre essa conexão de amor e afeto que precisamos manter sempre presentes em nossa relação como família.
Eu, como mãe, gostei bastante dessa atividade e se tivesse a oportunidade recomendaria o livro, as palestras do Dr José Martins e tudo mais com esse tema à todas as famílias, para que as crianças de hoje sejam adultos confiantes e se sintam amados sempre.


31 de outubro de 2014

Pediatras que fazem a diferença no mundo - Dr José Martins filho

Já declarei aqui que sou fã do Dr. Carlos González, pediatra espanhol que, ao meu ver, é um grande ativista pelo Aleitamento materno e a Criação com Apego (Attachment Parenting) baseada em evidências científicas.
O Dr. José Martins Filho, aqui no Brasil, desenvolve um trabalho tão importante quanto ele.
"Dr. José Martins Filho, Pediatra graduado em Medicina na USP e Doutorado em Medicina na UNICAMP. Professor titular de Medicina, Professor Emérito da UNICAMP e Vice Reitor depois Reitor da mesma universidade.
Também foi diretor da Faculdade de Medicina, após ter sido Chefe do Departamento de Pediatra por doze anos. Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria, honrado recentemente com o título acadêmico, ocupando a cadeira número 21 da Academia Brasileira de Pediatria.
Escritor de oito livros publicados, pediatra atuante, conferencista e âncora do Programa Conexão Brasil, TV Século 21 de Campinas. Luta pela causa do Aleitamento Materno há mais de 40 anos.
Lutou  pelo aumento da licença de três meses para quatro meses através do grupo de estímulo ao aleitamento materno da Sociedade Brasileira de Pediatria e do Ministério da Sáude, no INAN (Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição)."
 
Assim como já falei sobre os "pediatras-dinossauros", que insistem em fundamentos antigos que já caíram por terra, não apóiam verdadeiramente o aleitamento materno, etc; é mais importante ainda que a gente valorize (e muito) quem faz um trabalho oposto, pro bem.

Mais do que pediatras, profissionais de saúde como o Dr. Martins, são importantes ativistas pela maternidade e infância.

E então, ontem tive a oportunidade de ir pessoalmente ver uma pequena palestra do Dr. Martins, no lançamento de seu novo livro: "O nascimento e a família: Alegrias, surpresas e preocupações" pela editora Papirus.
Chegamos um pouco atrasados (eu, marido e Pietro), e sentamos lá no fundo. Como o auditório é pequeno, pude ouvir muito bem, e ao final algumas pessoas fizeram perguntas.
O Dr Martins falou sobre as consequências de se ignorar o choro das crianças. Falou sobre as pesquisas sendo feitas pelo ramo da neuropsicologia, e em como a falta de carinhos dos pais afeta mentalmente e físicamente a saúde das crianças.
Eu acho incrível e tenho a impressão, como leiga que sou, de que essa área da medicina deu um salto enorme em questão de comprovações científicas pra coisas que antigamente nem se falavam sobre.
Até pouco tempo (me refiro à minha época tá? :P) se falava somente em criar adultos independentes, e pra isso a frieza dos pais era fundamental.
Deixar chorando (vide o post do Nana Nenê), não pegar no colo, não amamentar no peito, um monte de "nãos" que foram afastando pais e filhos e consequentemente resultando em adultos inseguros, depressivos, e afins.
Culpa dos pais? Não acho.
Há tempos atrás a informação vinha dos profissionais de saúde e dos livros, já que não existia internet. E graças às novas pesquisas e estudos, temos a oportunidade hoje em dia de fazermos diferente. Fazermos melhor.
Bom, é isso. Estou super feliz de ter dado um abraço no Dr Martins, e ter meu livro autografado.
Depois conto o que achei sobre o livro, mas tenho certeza de que é uma leitura que vale a pena e só vem a agregar coisas boas à aventura de ser mãe. 
[site] Dr.JoséMartinsFilho: http://pediatrajosemartinsfilho.wordpress.com

[vídeo] Os primeiros mil dias das crianças (Instituto Alana):  
https://www.youtube.com/watch?v=90D56DzIz1Q

[vídeo] ALIENAÇÃO PARENTAL(Canal Webfilhos): 
https://www.youtube.com/watch?v=urHD80ZKUwg

20 de outubro de 2014

Herrar é umano - Pedir ajuda não te enfraquece, te fortalece!

Quando comecei a participar de grupos sobre maternidade no Orkut, pude conhecer pessoas muito interessantes que fazem parte da minha vida ainda hoje.
Aprendi muitas coisas, e recebi muitas orientações que me ajudaram (e ainda ajudam bastante) a entender melhor essa aventura doida de ser mãe.
Porque o fato é que SIM, precisamos de ajuda! No momento em que você se vê com um ser humano pequeno e frágil no colo, todo indefeso, é que a gente sente um baita peso da responsabilidade nos dois ombros.
Tem horas que a gente se sente completamente perdida em meio a palpites de familiares, vizinhos, colegas de trabalho, os cachorros na rua, etc. E ainda por cima tem a pressão da sociedade para que você faça tudo perfeitamente.
Existe isso? Alguém que seja perfeit@? Não, né.
Além de toda pressão que as mulheres sofrem da sociedade, a maioria ainda sofre com a ausência do pai do bebê. (Mas isso é assunto para outro post, hoje vou falar específicamente sobre nós, mães.)

O problema desses grupos online de mães hoje em dia, é que tudo que você posta tem a tendência de ser interpretado como ofensa/julgamento.
Alguém vai lá, faz uma pergunta, e se você responde algo diferente do que ela esperava, pronto: tá sendo radical.
Eu não ligo, mas gostaria realmente que isso parasse! Já falei aqui sobre como é importante o compartilhamento de informações, a união entre as mulheres, o acolhimento... Mas não tem como acolher quem não quer ser acolhida. É contraditório demais pra mim rs.
E acolhimento não significa concordar com tudo. Não é assim que aprendemos, que nos empoderamos de informações, que nos fortalecemos.
Ser conivente com tudo é abandonar @ outr@ à sombra da ignorância e da dúvida. 
Virar as costas e deixar "que se lasque". É mais fácil "lavar as mãos", do que comprar briga...
Sabe aquela coisa do "cada um sabe o que é melhor pro próprio filho"? E como vamos saber o que é melhor, se não formos apresentadas a outras opções, outras alternativas?
Como vamos nos sentir mais confiantes de que estamos fazendo o melhor?

Tive a oportunidade de observar um exemplo recente, onde uma mãe comentou que tinha feito introdução alimentar com a bebê dela de 4 meses oferecendo petit suisse, o famoso danoninho.
Ela foi orientada então, a ler esse artigo importantíssimo e atual sobre os petit suisse Tudo que você queria saber (ou não) sobre os Petit suisse e também que a introdução alimentar deveria ter sido iniciada aos 6 meses, como a Organização Mundial de Saúde recomenda... Adivinha qual foi a reação dessa pessoa?
Sejamos honestas: ninguém curte ser julgada por qualquer coisa, mas essa síndrome de julgamento tem que acabar! E não, não havia sequer um tom de julgamento no que estava sendo dito.
Com essa discussão me lembrei de algo que aconteceu com o Pietro, quando ele tinha 1 ano e 9 meses e eu ainda não era Vegana.
Como sempre achei "normal" ver outras crianças consumindo esses petit suisse, assim como eu mesma e meu irmão comemos bastante, resolvi dar pro Pietro.
Eis o resultado: Pietro e o episódio do danoninho 
Até então eu não sabia que eles são recomendados pra consumo a partir dos 4 anos, segundo o próprio fabricante (é só olhar no site da Danone). Depois disso, nunca mais ofereci, pois concluí que os malefícios seriam muito maiores que os benefícios na saúde dele.
Então, acredito que seria MUITO mais positivo se ao invés de nos sentirmos "julgadas", fôssemos atrás de informações.
Que houvesse muito mais interesse e união, do que briguinhas e mania de perseguição.
Sabe, não consigo ser omissa em nada na vida. Não conseguiria ver algo e não fazer nada a respeito, nem que seja dar um toque educadamente pra pessoa.
Acho que todxs temos direito à fazer escolhas, e se mesmo assim a pessoa insistir em seguir por um caminho "diferente", ao menos ela teve a chance de conhecer outras alternativas.
Informar é compartilhar alternativas.
Mas o "buraco" é mais embaixo, e enquanto algumas pessoas conseguem entender o que está sendo dito, outras colocam o ego em primeiro lugar.
Talvez seja mesmo devido essa pressão da sociedade pra que tudo saia perfeito, pra que a mãe não erre. Algumas acabam pirando com isso, literalmente...
Herrar é umano!!!
E eu erro pra cacete. Só assim é que eu aprendo.
(e "No more" danoninho).

17 de outubro de 2014

Guest post: Rubi, a "maternagem" e seus caminhos

Sou a Rubi, amiga da Carol (que a maternidade me presenteou), e coincidentemente também mãe aos 24, da Ayla ( 7 anos de luz), agora do Luigi (quase 2 meses de pura fofura).
Temos nossas diferenças e afinidades, nos respeitamos e sempre estamos trocando idéia! 
Me vejo sempre gostando de coisas alternativas. Na infância decidi não comer mais carne vermelha por achar ruim e nojento, na pré adolescência decidi não ir para igreja que era católica e sem contar um lado hippie e roqueira. Essas diferenças foram me guiando e de certa forma selecionando minhas aspirações! O que percebo é que sempre fui de buscar algo novo e tinha curiosidade de saber se aquilo que repetimos seria realmente o "único caminho". Com isso tive a oportunidade de conhecer e fazer amizades com tipos bem diferentes de pessoas! 
Na criação de filhos afirmo que não existe o "unico caminho", mas o melhor que cada mãe e pai podem ser
Acredito no respeito como via de mão dupla, me ofereço pra dar um apoio se a mãe precisar, e se pedir conselho passo a informação! O que não cabe é de qualquer lado um tentar impor ou zombar da opinião para o outro! 
Tipo, fiz cesarea eletiva na primeira gravidez, tive um pós operatório péssimo e decidi buscar formas melhores pra parir e nascer. Encontrei o parto humanizado. 
Pois bem, nesta gravidez muitas pessoas mesmo sabendo da minha vontade de parir por vias naturais, me indagavam se realmente ia ter coragem. Sempre procurei explicar os porquês todos, mas algumas pessoas mesmo assim diziam que a cesarea seria melhor e bla bla bla...
Poxa vida, estou explicando que hoje para mim não acho mais viável cesarea sem necessidade, que estou bem informada dos riscos e benefícios de ambos e mesmo assim insistem, me tacham de louca e coisitas mais? Gente, informação está aí fácil, pra quem quiser! Só que respeito pq já tive meu momento de fazer a cesarea e achar melhor! Eu sei que toda essa curiosidade e personalidade alternativa me fizeram e fazem refletir dia após dia!

Na amamentação foi assim, tive pitacos de gente dizendo sobre leite fraco! Fui curiosa e busquei informação, uma vez que escutamos tanto que o leite materno é melhor, e....bingo, constatei que não era fraco! 

Minha filha tinha dificuldade pra dormir. Em um momento de cansaço meu, fiz o teste "nana nenem" e deixei ela chorando no berço. Não rolou, não aguentei e fiquei mais cansada ainda, e fui me informar de outra coisa que pudesse ajudar, encontrei! E assim foi e é!

Finalizando: não existe um único caminho, existe sim o melhor no momento, o melhor pra mãe, melhor pro bebê e a importância de saber que existem vários caminhos. 

Caminhos que seguem a tradição, caminhos mais práticos, caminhos que precisam de mais dedicação... Afinal maternidade cansa sim, e muito! 
É bom ter sempre em mente que amor, carinho e afeto nunca são demais e que o tempo passa muito rápido, então aproveitar o máximo seus filhos, a infância e a maternidade é algo urgente!
Tem que ser feito agora, não há tempo pra deixar pra amanhã. 
A infância é mágica! :-)

 Rubi Naves
Mãe e doula.

16 de outubro de 2014

"Maternagem" tem tudo a ver com quem você sempre foi

Tenho ciência de que cada pessoa tem um ponto de vista diferente, opiniões diferentes, histórias de vida diferentes também. E eu tinha uma idéia de que a maternidade transformava a mulher em outra pessoa totalmente diferente do que ela era. E não queria aquilo pra mim.
Não queria ter que mudar minha personalidade para poder me encaixar num "grupo". Ser considerada uma "mãe perfeita", quase um ser mítico que deixa todos seus sonhos e planos de lado, para se dedicar exclusivamente ao marido e aos filhos. Queria continuar aprendendo, questionando, buscando.

Pensando bem, hoje vejo que acreditava nisso devido aos exemplos que tinha perto de mim...
Só que com o tempo veio a vontade de ser mãe. E todas aquelas idéias que eu tinha antes, todas as dúvidas e a vontade de continuar aprendendo não foram embora. Elas permaneceram e ainda estão tão presentes na minha vida, que acho que até cresceram!
Não mudei minha personalidade, pelo contrário. Sendo mãe eu tenho mais uma área na vida pra aprendizado. Mais dúvidas surgem a cada dia que passa, e vou lendo, vivendo, estudando, acertando e errando. E o barato de tudo isso é que quando acho que tenho certeza sobre alguma coisa, aparecem mais dez outras coisas novas rs. Ou seja, não existem fórmulas pré-estabelecidas, é tudo mutável no campo da maternagem.
Eu adoro, por exemplo, aprender sobre novas descobertas científicas sobre o desenvolvimento das crianças, e ao mesmo tempo encontro a maioria das respostas na simplicidade da natureza, no natural do ser humano de animal mamífero que é.
Por outro lado, me incomodo quando vejo pessoas que não têm nem um pingo de vontade de se atualizarem... Me sinto frustrada, tenho vontade de gritar: "Acorda, você não precisa ficar repetindo hábitos cegamente sem ao menos refletir sobre eles!". Mas também entendo que isso é algo pessoal meu, uma característica que tenho que aprender a trabalhar em mim e não ficar tentando mudar os outros.

Existem pessoas que acham mais fácil seguir modelos pré-estabelecidos e apenas repetem o que seus pais fizeram, seus avós, etc. Outras preferem buscar maneiras próprias de lidar com as situações, procurando informações e experimentando idéias novas.
Nenhuma das duas está certa ou errada, é melhor ou pior. São apenas posicionamentos diferentes.
E analisando minha "roda de amigos", constatei que ela é composta na maior parte por pessoas que seguem essa mesma linha de pensamento, e que não são acomodadas.
Isso é outra característica do ser humano, a de ter por perto pessoas com afinidades em comum.
E não me refiro somente ao campo da maternagem, mas também em relação a outros assuntos como por exemplo: tenho colegas ativistas na causa animal, Veganxs, Feministas, Libertários, Espiritualistas, e por aí vai.
Tenho amigas que muito antes de eu me atentar pra questão da humanização do parto, por exemplo, já estavam ativamente participando de manifestações, grupos e discussões sobre o tema. Também ativas na promoção do aleitamento materno, na criação com apego, disciplina positiva... Então elas acabam servindo de inspiração para aqueles momentos em que sinto que estou "remando contra a maré." E foi depois de me tornar mãe que vim a ter contato com esses termos e muitos outros que vou aprendendo todos os dias.
Como já mencionei ali acima, nesse meio não existe o melhor e o pior, o certo e o errado. Só acho que é tudo uma questão de bom-senso e de escolha mesmo.
E sim, optar por ser mãe / pai conscientes é algo que adiciona+, não subtrai- nada na vida e nem na personalidade de ninguém.