16 de junho de 2014

Sobreviventes novamente.

Bebê nasce e chora bastante. Dá-lhe uma chupeta na boca. Melhor ainda se for mergulhada no açúcar, que é pra ficar quieto mesmo.
Não dorme a noite? É só encher a barriga com algo pesado, engrossado.
Criança cresce e não quer ficar parada na frente da TV? Deve ser TDAH, tem que dar Ritalina pra acalmar.
Adolescente contestador? Manda pro psiquiatra. Lá ele receita uns antidepressivos e ansiolíticos que vão deixar ele chapado, assim pára de questionar.
Quando adulto, tem que se matar de trabalhar pra ser bem-sucedido. Mais uns tarjas-pretas pra aguentar a pressão durante a semana, e no fim de semana tem os cigarros e a bebida pra desestressar.
Comida é o que tiver mais prático, não do mais saudável. Saudável é caro e não tem gosto bom.
E assim vamos (sobre)vivendo.
Envelhecemos, temos câncer e mais um monte de doenças.
Sempre foi assim, e sempre será. Mesmo sabendo onde tudo isso vai dar.
Por quê? Porque quando chorei, me silenciaram.
Quando questionei, me doparam.
Quando me tornei dono de mim, já não tinha tempo nem disposição.
E quando acordei, era tarde demais.
Ser diferente pra quê? Tentar pra quê?
Somos sobreviventes e isso já basta.
Imagem Site Camaleao.org










Desculpem o desabafo, mas tenho visto coisas ultimamente que me fazem acreditar que muita gente pensa assim mesmo hoje em dia...

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