14 de setembro de 2014

Chupeta: Depoimento de uma ex-"viciada".

Tem gente que fuma, mas nem por isso tem câncer no pulmão.
Tem gente que bebe, mas nem por isso tem cirrose.
E tem criança que usa chupeta e nem por isso tem dentes tortos. Não é verdade? É.
Mas quando a gente sabe que existe um risco grande de ter um prejuízo a longo prazo, procura evitá-lo. 
Lá em meio à década de 80, quando nasci, ainda podia-se dizer que faltavam informações mais precisas sobre criação de filhos, e era tudo meio que baseado em "costumes" de família.
As crianças nasciam, chupavam chupeta, usavam mamadeira, andador, etc.
De lá pra cá, com o aprofundamento nas pesquisas científicas e a tecnologia proporcionando maior troca dessas informações, muitos "costumes" caíram por terra. Ou ao menos deveriam.
Eu resolvi escrever esse texto exatamente do ponto de vista de alguém que usou chupeta e mamadeira por quase oito anos. 

Dentes tortos, má-respiração, alergias, postura ruim, mordida-cruzada...
Esses são alguns dos problemas que comecei a ter na adolescência e que luto pra superar até hoje, chegando nos trinta. Não só eu, mas meu irmão também.
Depois que a criança vicia, vai ficando cada vez mais difícil de tirar. Não me lembro muito bem como foram as tentativas dos meus pais de nos tirar as chupetas e as mamadeiras. Mas me lembro bem como foi a última vez. Meu pai quebrou as mamadeiras e jogou tudo no lixo. Eu e meu irmão choramos bastante. Daí pra frente foram surgindo os problemas.
Já ouvi falar de gente que usou chupeta e mamadeira durante muito tempo e não teve nada. O que essas pessoas podem não saber, é que não é apenas a dentição que é prejudicada.
Depois de ler esse texto bem completo no blog Cientista que virou mãe, descobri até o motivo da minha postura ser ruim (e do meu irmão também), além da rinite alérgica, etc:


Chupeta - o que toda mãe (e pai) deveria saber antes de oferecer uma para seu bebê. Por Andreia Stankiewicz


Mas e aí? Então você nunca ofereceu chupeta pro Pietro? Como você fazia pra acalmá-lo?
Antes do Pietro nascer, a gente ganhou uma chupeta ortodôntica.
Me vendo caindo pelos cantos, morta de cansaço com o Pietro no colo, meu marido até tentou oferecer a "bendita" pra ele. 
A cena foi patética e até engraçada, porque ele colocava a chupeta na boquinha, e o Pietro cuspia com tanta força, que ela pulava! - Lógicamente ele preferia a mamãe.
Foi assim algumas vezes, até sugeriram da gente colocar Funchicórea na chupeta, mas como ele sempre foi esperto, não aceitou um substituto aos peitinhos da mamãe haha... UFA!
Como eu também não quis que ele usasse chupeta nem mamadeira, investi na amamentação, na paciência e no colo.
Porque se ele tivesse pêgo a chupeta, muito provavelmente não teria mamado no peito até depois dos 2 anos e eu estaria sofrendo para tirar esse vício dele, pois sei na pele o que ele representa e quais consequências traz.

Esse ano pretendo colocar novamente aparelhos ortodônticos, já que minha dentição ainda não foi corrigida...
E como sofri na adolescência...

Não é fácil persistir na amamentação quando parece que todos aconselham o contrário.
Principalmente com um bebê que chora bastante, que demanda muita atenção.
E você está sozinha na maior parte do dia, não dorme a noite. É mãe de primeira viagem, com toda a pressão das outras pessoas para que tudo saia "perfeito".
Não, não é fácil MESMO.
Só que essa fase de choros, passa. 
E que fique a saúde, sempre! Valeu muito a pena me descabelar e servir de "chupeta-humana. Mesmo porque, ela e todos os bicos artificiais só foram inventados para imitarem o seio da mãe.
Imitações que tentam aprimorar, mas nunca vão subtituir o contato pele a pele entre mãe e bebê.

Crianças com consciência ecológica

As pessoas acham interessante quando conto que o Pietro se tornou Vegetariano por escolha própria.
Logicamente ele teve influência nossa, já que quando tinha por volta de 2 anos, eu e meu marido deixamos de comer carne.
Foi uma escolha pessoal nossa, pois sempre gostamos muito de animais e já sentíamos que seria o momento para deixarmos de nos sentir um tanto quanto hipócritas com a gente mesmo.
A partir de então, fomos deixando de cozinhar qualquer tipo de carne, e ao mesmo tempo mostrando e incentivando o Pietro a experimentar novos sabores de legumes, verduras, frutas e grãos.
Já contei aqui sobre como foi essa transição para ele, que depois de um tempo resolveu tirar a carne da alimentação, pois não gostava de "bichinhos mortos".
Mas o que tenho visto é uma geração de crianças muito mais conscientes em relação à natureza, ele não é o único.
Talvez por influência dos pais, não sei. Só sei que essa consciência vai além da alimentação.
O respeito e o carinho que eles têm demonstrado é algo muito bacana e diferente, já que venho de uma geração totalmente junk-food e que não se preocupava em saber de onde os alimentos vinham, muito menos com preservação da natureza e afins.
Talvez estejamos um tanto quanto desesperados com o mínimo de recursos naturais que nos resta, e já não tem mais como fingir que está tudo bem.
Precisamos cuidar do que ainda nos resta, para que essa e as próximas gerações vivam com qualidade, não apenas sobrevivam.
Fico muito feliz em vê-lo crescendo saudável. É claro que vez ou outra aparecem as viroses escolares, gripes... Mas isso até faz parte da maturação do sistema imunológico de uma criança que frequenta escola.
Mas é muito bacana ver que ele realmente gosta de coisas que eu detestava até pouco tempo, como algumas frutas, por exemplo.
Alias, exemplo é a palavra chave, viu. Se os pais dão o exemplo, a lição fica bem clara e fácil de "seguir".
Agora, se um dia eles resolverem seguir caminhos diferentes, estarão exercitando o livre-arbítrio também. Ao menos precisamos investir nessa "base" que vai ajudá-los a criar seu próprio caráter e personalidade...

Mas e quando não há influência dos pais?
http://vista-se.com.br/conheca-bernardo-um-vegetariano-de-9-anos-motivado-pelo-respeito-aos-animais/

Quando isso acontece, só nos resta aprender com eles :)

9 de setembro de 2014

Tireóide, show do Ghost e festinha de aniversário. É, tem a ver.

Essas últimas semanas de Agosto e a primeira de Setembro foram meio psicodélicas pra mim...
Primeiro, descobri um caroço no pescoço do tamanho de uma azeitona. Já pensei em mil tipos de câncer diferentes, lógicamente, mas depois de fazer o ultrassom descobri que tem a ver com a Tireóide.
Eu só tinha ouvido falar nesse treco, nunca me preocupei em saber o que é, pra que serve, e quais problemas poderiam estar relacionados. Mas estou fazendo mais exames pro médico definir o tratamento a ser feito, e já aproveitei para pedir outros exames de vitaminas no sangue.
Sabe o que eu acho "hilário" nessas horas?
É que qualquer problema de saúde que um Vegetariano tenha, desde um simples resfriado até uma doença mais grave, as pessoas automáticamente já atribuem ao Vegetarianismo.
Vou fazer 30 anos, no final do ano. Sendo 27 deles comendo carne, porcarias, já fumei, bebi... Minha água era a coca-cola e meu alimento principal, o chocolate. Depois que engravidei, tive o Pietro e me tornei Vegetariana, foi quando comecei a me preocupar muito mais em manter uma alimentação saudável.
Sendo assim, qual a probabilidade das doenças que se manifestam hoje, serem resultados da minha vida pré e pós-Vegetarianismo? Parece que tem gente que não pensa.
Continuando o relato sobre as fortes emoções, quem me conhece sabe que sou fã de Rock, Heavy metal e suas vertentes... Pois bem, em Julho já tinha comprado o ingresso para ver o show da banda Ghost em São Paulo, e conversei com o Tonhão pra combinar o que a gente iria fazer. Como consegui usar minha carteirinha de estudante, comprei um ingresso só pra mim (pois estava caro), e ele ficaria cuidando do Pietro. Afinal de contas, qual o melhor jeito de comemorar uma graduação em curso superior depois de tornar-se mãe? Em um show de Rock, claro! Haha...
Fui com uma amiga e o namorado dela, e foi excelente! Curtimos demais!!!
Aqui nesse vídeo que ela fez dá pra ter uma  noção do quanto gritamos. Inclusive dá pra ver meu bracinho magrelo, na esquerda, com meu bracelete de spikes :P

Então no sábado eu estava cansada, mas precisávamos arrumar a casa porque no domingo seria a festinha de aniversário do Pietro.
A data de aniversário dele é 01/09, mas sempre fazemos a festinha depois.
É tudo muito simples, só pra não deixar passar em branco. Mas fico muito feliz em vê-lo se divertindo, correndo pela casa com a criançada.
Esse ano, minha cunhada Iara resolveu que faria a decoração e ficou tudo muito lindo.
O tema Harry Potter é muito legal porque dá pra usar a criatividade: tinha capinha de bruxos, varinha mágica, poções... Tudo muito caprichado e cheio de detalhes, com comida Vegetariana, bolo Vegano de chocolate (sem ovos nem leite), sucos, e as porcarebas açucaradas que a gente gosta rs.
Enfim... Pra mim foi uma maratona, mas fico muito feliz em ver meu filhote crescendo super bem.
E mais: com uma personalidade muito bacana. O Pietro já demonstra ser o tipo de pessoa questionadora, amável, inteligente. Bastante teimoso, e ainda tem dificuldade em desapegar de suas coisas, mas acredito que muitas características ainda podem mudar já que ele só tem 5 anos. E nós estamos aqui, pra ajudá-lo e dar o apoio necessário pra ele ser quem ele quiser ser.
Espero que um dia ele leia esse blog, e saiba que tenho e sempre tive muito orgulho dele, assim como sou muito mais feliz com ele em nossas vidas.
Meu companheirinho já tem 5 anos... <3 br="">


15 de agosto de 2014

Guerrinha de Menos x Mais mães, do ponto de vista de quem "optou" pela cesariana eletiva.

Coloquei esse título nesse post com duas finalidades: uma é a de chamar a atenção, mesmo. Pois muito tem se falado sobre parto humanizado através de relatos e grupos sobre maternidade, porém na maior parte das vezes esses relatos são de mulheres que conseguiram parir com respeito, ou que não conseguiram e forçadamente passaram por uma cesariana a contragosto.
A outra intenção tanto com o título do post, quanto com o texto em si, é a de chamar a atenção para a palavra "optou", que está entre aspas.
Optar, segundo o dicionário, é um verbo intransitivo que significa escolher, decidir por.

A questão é que para que haja uma escolha, é necessário haver também outras opções certo?
Em 2009, quando engravidei do meu filho Pietro, eu era uma mulher de 24 anos que tinha verdadeiro pavor em ouvir os relatos de Partos Normais da minha mãe. Talvez como uma forma de assustar e reprimir o impulso sexual, tenha sido essa uma maneira encontrada por muitas mães para assustarem suas filhas e desencorajarem o ato sexual em si. Além disso, há anos, muitas mulheres vêm sofrendo violência obstétrica sem que isso fosse categorizado ou mesmo percebido pelas próprias mulheres, o  que torna ainda mais doloroso tanto físicamente quando psicológicamente falando.
O fato é que estava grávida e me apavorava só de pensar em tudo que poderia acontecer na hora do parto, por isso disse à ginecologista que me acompanhava na época, que queria cesariana.
Ela, por vez, nem sequer cogitou me orientar melhor sobre o processo fisiológico natural de toda mulher que tem filhos. Simplesmente agendou a cirurgia e nunca tocou no assunto. NÃO ME OFERECEU OPÇÕES para que eu pudesse refletir sobre elas e escolher, realmente.
E quantas mulheres estão ou já estiveram nessa mesma situação?
Quantos profissionais de saúde realmente informam suas pacientes e visam a saúde efetiva delas?
Com a idade gestacional de 38 semanas e 1 dia, de acordo com a médica, fizemos a cesariana. Só que meu filho na verdade estava com 36 semanas e 5 dias (era prematuro). Devido ao peso bom, não precisou ficar na UTI neonatal. Mas corremos esse risco grande, já que a maioria dos bebês que nascem de uma cesareana eletiva são prematuros, e necessitam ficar na UTI recebendo cuidados intensivos.
Meu pós-cirúrgico não foi um dos piores, apesar de não poder sair andando assim que ele nasceu. Mas hoje, voltando um pouco nas lembranças, imagino a quantidade de remédios que tive que tomar na veia pra não sentir dor, tendo 7 camadas de pele cortadas numa cirurgia de grande porte como a Cesariana. E o tanto de remédios que meu filho "mamou" pelo meu leite.
Vejo relatos de mulheres que foram induzidas a fazerem a cesareana e tiveram sérios problemas.
Fui tomar conhecimento do que significa a Violência Obstétrica somente após alguns anos de convivência com outras mulheres que tinham sofrido esse tipo de violência durante seus partos. Eis as tais "ativistas pelo parto humanizado" de quem tanto ouvimos falar recentemente.
São pessoas normais, como eu e você, que se informaram o suficiente para exigirem melhores condições pra que todas nós sejamos tratadas com dignidade e respeito, assim como nossos filhos.
Pois bem, se eu tivesse me sentido ofendida nesses grupos e na convivência com essas mulheres , e tivesse me fechado para todo esse leque de informações, muito provavelmente estaria com a mesma mentalidade que tinha em 2009, achando que meu parto tinha sido ótimo, que meu filho tinha nascido da melhor maneira possível e fim.
Mas quando você convive com pessoas envolvidas em uma causa, ou simplesmente assume uma posição de maternagem ativa, hora ou outra acaba dando de cara com informações atualizadas, ainda mais nos dias de hoje. Não há como viver em uma bolha.
E existem sim dois tipos de postura que eu percebo nos pais dessa minha geração: aqueles que preferem repetir mecânicamente hábitos e costumes dos mais velhos; e aqueles que contestam. Posso dizer que me identifico bem mais com o segundo grupo, ainda que tenha demorado um pouco pra cair a ficha sobre essa minha "desnecesárea", e todos os dias aprendemos mais, não somente sobre isso.

"Quanto mais perto do natural, mais incontestável fica."
Não me sinto segura ainda para afirmar que farei isso ou aquilo se engravidar novamente algum dia, mas acredito que contestar e buscar cada vez mais conhecimento nunca é demais.
Como comentei aqui, o documentário O Renascimento do Parto é muito esclarecedor, pois tem depoimentos dos próprios profissionais da área de saúde sobre o assunto. Acredito que existam vários outros bem interessantes também, por isso aceito recomendações ;)

Eu, particularmente, gostaria que as mulheres se ajudassem mais. Fossem mais solidárias umas com as outras ao invés de viverem nessa espécie de competição, pra ver quem é mais ou menos mãe, melhor ou pior esposa, e assim por diante. Infelizmente existem sim mães que por quererem se manter nessa "competição" boba tentam humilhar outras, mas não pelo benefício das crianças. Simplesmente para terem egos inflados.
É claro que podemos problematizar o porquê de algo ou algum assunto ferir algumas pessoas (muitas vezes pode ser porque ela própria não está bem resolvida com o assunto). Mas quando fere, é complicado dizer que "não deveria ferir", porque ninguém escolhe sentir dor.
Mas já que é assim, acredito no poder que o acolhimento tem na hora de prover informação.
Como já falei por aqui, quem ganha com essa desunião entre as mulheres, é somente o machismo.

Portanto, meu único arrependimento até hoje em relação ao parto, foi não ter me informado mais na época. Não costumo me arrepender de nada que faço, mesmo porque amarguras não me levarão a nada. Mas provavelmente teria feito diferente...
Mas me baseio nessas experiências do passado para procurar um presente e futuro melhores. É isso.

3 de agosto de 2014

Passamos das 60 mil visualizações!!!

Galera, juro que não fui eu que fiquei clicando mais de 60 mil vezes aqui no blog! Haha :-D

Brincadeiras à parte, agradeço pela "audiência" e pela oportunidade de poder compartilhar com vocês, toda essa aventura louca de ser mãe de primeira viagem!