7 de julho de 2014

Pediatras "dinossauros" e a atualização dos profissionais de saúde.

Hoje em dia todo mundo sabe que um bom profissional - em qualquer área - deve se mater atualizado. É até uma questão de sobrevivência no mercado de trabalho.
Porém, em relação auma parte dos profissionais de saúde que já estão no mercado há vários anos, isso não é (deveria ser, mas não é ) uma preocupação.

Por quê estou dizendo isso?
Vou explicar. E não preciso ir tão longe assim pra dar exemplos, não.

Veja bem: antes mesmo de me conhecer por gente, vou ao  pediatra.
Naquela época, início dos anos 80, minha mãe conta que eu, bebezinha, chorava bastante (e que bebê não chora, não é mesmo?).
Meu pediatra - o profissional de saúde em que meus pais confiavam plenamente e idolatravam como "o cara", arrumou uma solução bem bacaninha pra acalmar meu choro. E meus pais contam isso até hoje com a maior naturalidade, dando vários créditos ao cara.
A recomendação do meu pediatra foi me dar chá. Eu era um bebê de quatro meses que passou a tomar chá porque "chorava de fome, já que o leite da minha mãe não era suficiente"...
Olha, até dá pra entender que nos anos OITENTA ninguém tinha acesso a internet, às informações atualizadas, e tal. Mesmo porque, só depois é que os estudos científicos sobre bebês e crianças foram atualizados. Antes disso era tudo no olhômetro (pasmem!).
Até o início da década de 80, as orientações dos pediatras aos pais eram feitas, sobretudo, por meio da observação pura e simples do comportamento infantil.
As recomendações atuais são mais precisas porque são baseadas em informações comprovadas cientificamente.
Leia mais aqui
Então, naquela época, a informação chegava aos pais através dos profissionais de saúde. Só que hoje em dia, em pleno século 21, as informações estão mais atualizadas e podem ser acessadas por práticamente qualquer pessoa.
E adivinha só: a recomendação do meu pediatra não vale mais. Aliás, explica muita coisa que só vem a aparecer no organismo da pessoa depois de vários anos, como alergias por exemplo.
A orientação do Ministério da saúde é aleitamento materno exclusivo até 6 meses. Não precisa dar água, sucos, chás nem nada além de Leite Materno. O leite materno tem tudo que o bebê precisa. Caderneta 23. SAÚDE DA CRIANÇA: Nutrição Infantil Aleitamento Materno e Alimentação Complementar. Publicação do Ministério da saúde
O círculo vicioso detonador de amamentação: mamadeira ou chuquinha > confusão de bicos > desmame.

E quanto ao choro insistente, no meu caso? Poderia tanto ser ligado a uma Crise dos 3 meses quanto a qualquer outro desconforto ou necessidade de comunicação, mesmo. O choro do bebê pode ter diversos significados em diversas culturas. Esse texto aqui é bem interessante.
A questão é que tenho presenciado muitos profissionais de saúde mantendo os mesmos conceitos antigos e ultrapassados ainda nos dias de hoje. Tenho certeza de que se eu tivesse levado meu filho nesse mesmo pediatra que me atendeu desde bebezinha, ele aplicaria as mesmas recomendações em relação a amamentação da minha mãe.
Já contei aqui que o primeiro pediatra em que levei o Pietro, era amigo há anos do meu avô, e que ele recomendou na primeira consulta que eu deixasse o Pietro chorando (recém-nascido) no berço e só o pegasse de 3 em 3 horas pra amamentar (?!!!). Apesar dessa recomendação dele, eu SENTI no meu coração que aquilo era cruel demais pra fazer com meu filho tão novinho... Fui embora e nunca mais voltei lá. O cara é famosinho até, tem muitos pacientes e atua na profissão há anos, mas fui embora e nunca mais voltei lá.
Para nós foi muito difícil encontrar um pediatra mais atualizado e comprometido com a profissão nesse sentido. Levamos o Pietro em mais ou menos uns 5 profissionais até eu encontrar um que me passasse mais confiança.
E a conclusão é que por mais que sejam bons profissionais no diagnóstico e tratamento de doenças, nem todos trabalham com a prevenção, e no apoio REALMENTE ao aleitamento materno. Nem todos estão dispostos a se atualizarem.
Portanto, a dica é seguir o instinto. Existem coisas que não são aprendidas com pediatras. Isso é o que chamam de instinto materno - voilá!
Além disso ainda existem os grupos de ajuda às mães, porque afinal de contas no começo é totalmente normal a gente se sentir insegura e confiar plenamente nas pessoas que trabalham com isso.
Dá pra entender, mas com o tempo a ficha vai caindo e a gente vai se informando ao ponto de enxergar certas coisas que passavam despercebidas, não é mesmo? ;)
Lembre-se disso quando o(a) pediatra te disser que seu leite materno é fraquinho e não sustenta...


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