3 de agosto de 2014

Relato de 5 anos de Cama-Compartilhada (Cama-familiar).

Já falei aqui sobre nossa relação com a Cama-Compartilhada, e hoje venho atualizar um pouco sobre como vem sendo esses anos dormindo juntos, já que vejo muitos relatos apenas sobre bebês.
Desde que o Pietro tinha alguns meses de vida, e eu percebi que não teria outro jeito de dormir senão amamentando, deitada, dormir com ele foi a melhor solução que encontramos.
No início ouvimos algumas histórias de desgraças envolvendo a Cama-Compartilhada (sabem aquela coisa de "fulano me contou que o filho da ciclana morreu esmagado/sufocado?"), mas usando o bom-senso e responsabilidade, não há o que temer.
Além do mais, a CC ajuda - e muito - com as mamadas noturnas.
Falo isso sobre bebês que são amamentados ao peito. O leite materno é mais aproveitado pelo organismo e bem mais difícil de ser digerido. Quanto a bebês que usam fórmulas, não sei dizer se existe alguma restrição para a prática da CC.


Tivemos noites em que ele teve febre, ou alguma virose, e que eu pude estar ali ao lado monitorando.
Como quando ele teve Rotavírus, por exemplo. Durante a noite, ele vomitou e como eu estava dormindo ao lado, já levantei a cabecinha dele para ele não engasgar com o vômito.
Penso que não conseguiria dormir se ele estivesse em outro quarto.
O fato é que pra gente funcionou tão bem, que nos acostumamos.
O tempo passou, o Pietro cresceu, e ainda dormimos em CC.

É claro que logo ele vai ter um quarto só pra ele. Não conheço nenhum adolescente que dorme com os pais, e pretendemos fazer essa transição bem naturalmente.
Acho que não preciso nem comentar sobre o desenvolvimento do Pietro e a relação com a CC.
Ele é um menino de quatro anos muito esperto, não apresenta nenhum problema de fala, e poucas vezes ficou doente. Das pouquíssimas vezes em que ficou, nenhuma foi relacionada a dormir conosco.
Não é tímido, fala bastante, se expressa muito bem e apesar da dificuldade de adaptação na creche no começo (acredito que aconteça com qualquer criança), ele já está extremamente à vontade e desenvolvendo suas habilidades.
O que acontece é que há muito "mito" e muito preconceito com algo que há anos atrás era muito comum e hoje em dia é visto como "fraqueza".
Para quebrar esses mitos e preconceitos é que estamos aqui, relatando algo que só nos trouxe benefícios e que muitos pais deixam de fazer justamente por acreditarem nesses pré-conceitos e darem ouvidos aos outros.


Frajola e nosso modelo de Camas-Compartilhadas :)
"Somente nos últimos 150 anos, com o surgimento de casas com vários compartimentos, é que se começou a separar os bebês e colocá-los para dormir longe dos seus pais. As crianças das sociedades tecnológicas têm sido mais separadas de suas mães do que em qualquer época anterior na história da nossa espécie. Mais e mais nascimentos passaram a acontecer em hospitais, e os berçários nos hospitais foram inventados para proteger as crianças de infecções, isolando-as de contato. Desde o nascimento, esperava-se que os bebês dormissem sozinhos, longe de suas mães (6). O declínio da amamentação, promovido pelas empresas produtoras de leites artificiais, também contribuiu para acentuar a separação entre mães e bebês. O resultado de todas estas influências é que, por volta de 1950, pouquíssimos bebês nas nações industrializadas ocidentais dormiam com suas mães (6)."
Mother – Klimt (1862-1918)

Deixo aqui alguns links muito interessantes sobre a história da CC, regras de segurança e pesquisas mais recentes sobre o assunto:


   
  Sendo assim, bons sonhos com suas crias! ;)

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